Morre um craque histórico da região

O futebol profissional da região está de luto. Morreu na tarde desta terça-feira o ex-volante Zé Américo, de 85 anos, que fez história no Taubaté e também correspondeu em São José dos Campos e Guaratinguetá.

Recentemente, Zé Américo foi internado por causa de um AVC. Voltando para casa, sofreu uma parada cardíaca. E quando já estava sendo colocado na ambulância, teve outra e definitiva.

O cronista esportivo Moacir dos Santos, um historiador de registros importantes sobre o Taubaté, divulgou o seguinte texto em seu moataubate.com.

Zé Américo, defedeu por dez anos as cores do E. C. Taubaté e pouco menos de dois anos no São José, onde conseguiu ser ídolo das duas torcidas rivais. Filho de um alfaiate da pequena cidade de Fama (MG), onde nasceu – próximo de Alfenas se transferiu ainda menino com a família para Cruzeiro, no Vale do Paraíba.

Começou jogando futebol no Colégio São Joaquim, em Lorena. Ingressou no EC Hepacaré, passou pela Esportiva de Guaratinguetá, antes de chegar ao Taubaté em 1953, contratado pelo presidente Joaquim de Moraes Filho. Subiu com o Taubaté em 1954 e permaneceu mais dez anos no Burro da Central, ganhando passe livre em 1964.

No ano seguinte foi convidado por Mario Ottoboni (presidente) e Diede Lameiro (técnico) para jogar no EC São José, onde sua experiência se tornaria o ponto de equilíbrio do time campeão de 1965, ajudando o Formigão a subir para a principal divisão de acesso da Federação Paulista de Futebol. Foi então chamado de “4 de Ouro” pelo locutor esportivo Alberto Simões.

No alto de seus 85 anos de idade, que completaria no próximo dia 12 de Outubro, Zé Américo sempre em conversa, trazia as boas lembranças do acesso com o Taubaté em 1954, time fantástico, dirigido pelo técnico Joaquim Loureiro. Depois trabalhou com Aimoré Moreira, que chegou ao título mundial com a Seleção Brasileira.

“Foi ele que um dia me entregou a camisa 7 para enfrentar o Santos pelo campeonato paulista. Mas eu sou o nº 4, retruquei. Mas hoje você vai entrar em campo para marcar o Pelé, falou o Aimoré. Era difícil, quase impossível parar o Pelé, acho que não consegui, mas marquei dois gols e o Taubaté venceu por 3 a 2 “ comentava com muita alegria.

José de Oliveira era seu nome, pois alguém no cartório se esqueceu de falar “Américo” na hora de registrar a criança.

O craque da camisa de numero 4 foi casado com Eunice Marcondes da Silveira (falecida ano passado), com quem teve uma convivência de 59 anos. Pai de quatro filhos, três homens e uma menina. Quando parou de jogar ainda trabalhou um pouco com o ex-companheiro de Taubaté, o goleiro Henrique Schuch, num cartório da cidade.

Jogo de destaque

Jogo de destaque

Dados do jogo que Zé Américo gostava de relembrar

Taubaté 3 x 2 Santos FC, no dia 05/10/1958, no Estádio do Bosque, em Taubaté. Arbitragem de Juan Brozzi; Renda – Cr$ 311.700,00. Gols – Zé Américo 27 e Tec 30 (1ºT); Zé Américo 5, Hélio, pênalti 14 e 38 minutos (2ºT). Taubaté – Rossi; Orlando Maia e Zé Carlos; Ivan, Celso e Ananias; Zé Américo, Tec, Gato, Mário e Evaldo. Técnico – Aimoré Moreira. Santos – Manga; Getúlio e Feijó; Ramiro, Zito e Urubatão; Hélio, Jair, Álvaro, Pelé e Pepe. Técnico – Lula. O Santos foi campeão paulista nesta temporada.

Na foto de arquivo do EC Taubaté, campeão de 54, Zé Américo é quinto da direita para a esquerda.

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