Atletas do Caravana aprimoram a competitividade

Na segunda etapa do projeto Caravana de Seletiva, mais de 100 jovens atletas seguem participando das equipes para as quais foram aprovados. Alguns já começam a se destacar e assim como outros, vivem a expectativa de uma vaga na delegação de São José dos Campos que disputará os Jogos Abertos do Interior.

Confira uma matéria especial enviada por Thiago Fadini, da assessoria de Imprensa da Secretaria de Esporte e Qualidade de Vida.

Chegar ao time titular, ir para uma grande equipe, viajar o mundo, defender a seleção brasileira. Esses e outros planos alimentam a imaginação e mantêm vivo o sonho da carreira no esporte para diversas crianças e adolescentes de 7 a 17 anos que passaram pela Caravana de Seletivas do programa Atleta Cidadão, promovida pela Prefeitura de São José dos Campos entre maio e julho deste ano.

Dos 362 pré-aprovados nas atividades realizadas nas sete unidades esportivas escolhidas da cidade, 113 passaram pelo período de adaptação inicial, que variou de acordo com a comissão técnica de cada uma das 14 modalidades que absorveram atletas. A Caravana promoveu testes para 23 tipos de esporte pelo Atleta Cidadão e teve um total de 1.514 inscritos.

Grande parte dos selecionados foi direcionada para pré-equipes dentro da modalidade que escolheu. Atualmente, 77 integrantes estão nessa condição. Os outros 36 candidatos foram efetivados nos elencos principais do programa.

Integrada em definitivo na equipe sub-13 de vôlei feminino, Bianca Abreu, 11 anos, foi uma das primeiras meninas a serem aprovadas na modalidade. Ela participou da primeira seletiva realizada no Centro Poliesportivo Jardim Morumbi, na região sul, e desde 17 de maio treina com as meninas do Atleta Cidadão.

Para a garota de 1,78 metro, que treina três vezes por semana, a entrada para o programa foi uma mudança radical de intensidade dentro do voleibol. E claro, o começo foi um grande desafio.

“Foi muito estranho, porque na minha escola eu só treinava uma hora e quarenta (minutos) e aqui são mais horas e dias de treino. Também teve uma parte da adaptação com as colegas, que eu acho que foi muito legal. Deu para aprender muita coisa”, contou Bianca.

Os obstáculos no início da caminhada se repetem para os atletas que escolheram modalidades com as bolas nos pés.

Caio Yokoda, 12 anos, chegou à equipe comandada pelo ‘professor Jorge’ após duas tentativas, a primeira no Jardim Morumbi e a segunda na Vila Tesouro. Nos gramados, Natanaeli Oliveira de Oliveira, 11 anos, se destacou e foi efetivada no time de futebol feminino para jogadoras até 13 anos.

“No começo ficava meio perdido, mas foram me explicando e me ajudando e foi ficando melhor. (Os colegas) me receberam numa boa”, falou Caio, que joga como ala.

“Ainda está difícil, porque estou me adaptando com algumas meninas que são mais velhas que eu e que já estão há mais tempo. Acho que preciso de força e habilidade”, disse a atacante.

O relacionamento com os novos colegas de grupo, que pode ser mais discreto em um primeiro contato, é um dos pontos destacados pela psicóloga do esporte Wanda Gregate. Para ela, em um mundo mais digital, o contato pessoal acaba perdendo espaço no dia a dia, mas acaba sendo facilitado por meio da atividade física.

“A gente vive na geração X, que está totalmente mergulhada nessa questão virtual, nas facilidades, a um clique você tem todas as informações que você precisa. Isso gera economia de esforço muito grande. Então eles precisam conviver com o olho no olho, com diferentes classes sociais”, justificou.

Escolhas e mudanças

A opção pelo esporte mudou, não apenas a rotina de Bianca Abreu, mas também de toda a família. Os pais, grandes apoiadores da entrada no voleibol, remanejaram as atividades extracurriculares e em casa da menina, que estuda inglês e faz reforço de matemática, além de estar no 6º ano do Ensino Fundamental II.

“Tivemos que fazer uma mudança no horário dela à tarde, mas nós achamos que isso contribui muito, porque ela está tendo que se organizar mais na escola e não pode deixar de fazer as tarefas. Só veio a acrescer com coisas boas”, disse Silvana Abreu, mãe da atleta.

O exemplo para Bianca de como o esporte é valioso na vida veio do pai, que é ex-jogador de basquete. No entanto, a garota que hoje lê livros sobre vôlei, detestava a ideia de ter que entrar em quadra. Foi por insistência da professora de educação física que ela começou a sacar e cortar, aos sete anos de idade.

Percebendo o talento e vontade da filha, Silvana ligou na Central 156 da Prefeitura e se informou sobre a Caravana de Seletivas. Ao conhecer o programa de perto, gostou e aprovou o que viu.

“Ela está muito satisfeita, muito feliz e nós também estamos satisfeitos, porque nós achamos que é um trabalho sério”, afirmou Silvana.

A mãe de Natanaeli, Desieli Mota, também é o espelho de determinação para a garota. Hoje com 38 anos, ela foi boxeadora, praticou futebol e hoje trabalha na unidade esportiva do Jardim Morumbi. Ela soube da seletiva por meio da divulgação interna e não pensou duas vezes em incentivar a pupila.

A experiência no esporte a ajuda na orientação da menina, que já havia passado em uma seletiva em 2016, mas que teve que ser abdicada à época por conta do horário de aula do 5º ano do Ensino Fundamental II.

“A gente está se reorganizando de uma forma melhor para ela se adaptar em muitas situações, pra ela criar uma responsabilidade em estudar e treinar ao mesmo tempo. Ela precisa ter um rendimento escolar bom, porque não adianta só ser jogadora e não ser estudante”, pontuou Desieli.

Para continuar no Atleta Cidadão, a criança ou adolescente precisa apresentar boletim escolar sempre que solicitado pela coordenação do programa. Se o desempenho na sala de aula cair ou for insatisfatório, o atleta pode ser cortado.

A responsabilidade é um dos pontos destacados por Anderson Yokoda, 45 anos, pai de Caio. Ele, que estava viajando quando a esposa deu a notícia da pré-seleção do filho, lembrou ao menino, que está no 7º ano do ciclo escolar, que vestir o uniforme da equipe de futsal exigiria maior determinação e senso de coletividade.

“Acho que traz muita disciplina, responsabilidade com os horários e por ser um esporte coletivo, um depende do outro. Ele tem que sempre estar trabalhando em conjunto. Vai ser muito bom para ele”, opinou Anderson.

Compromisso com a escola

Reconhecido como modelo de programa de esporte de base do país, o Atleta Cidadão tem como objetivo, mais do que formar esportistas com potencial de alto rendimento, ajudar no desenvolvimento dos jovens por meio da educação e cidadania.

Cada modalidade esportiva atendida estabelece a frequência de apresentação do rendimento escolar, que é de no mínimo duas vezes ao ano – primeiro e segundo semestres. Então, para se manter no programa, é necessário estar em dia com a escola.

O comprometimento é um dos principais ganhos no desenvolvimento de jovens atletas. Para a psicóloga do esporte, Wanda Gregate, a qualidade transcende a vida escolar e o âmbito pessoal, ajudando a criança a gerar valores.

“Além de toda a questão da disciplina, prazos e horários, do comprometimento com o treino em si, ele (aluno) vai precisar criar estratégias mentais para entender o esporte em si. Ele vai conseguir levar isso para a sala de aula, em termos de concentração, disciplina, de respeito à hierarquia”, explicou a especialista.

Sonhos em família

Na nova rotina que o Atleta Cidadão gera na vida de cada uma das crianças e adolescentes, a família ganha um papel fundamental e de protagonismo, que é o de manter as bases emocional e intelectual sólidas.

A responsabilidade adquirida tão cedo gera uma pressão natural sobre os atletas e o apoio dos responsáveis é importante para que o foco e ânimo sejam mantidos.

“A pressão sempre vai existir. Com os pais é a questão do apoio, é ajudar o atleta a se organizar, de incentivá-lo a conciliar. Só que para isso ele tem que ter organização, tem que ter disciplina de horário para estudar, fazer tarefa e vai abdicar de algumas coisas. São escolhas”, analisa a psicóloga do esporte Wanda Gregate.

De acordo com a especialista, os pais devem lembrar que os filhos ainda estão em desenvolvimento e que, junto ao aprendizado, ainda estão na fase de sonhar. Por isso, é necessário que o esporte seja tratado como ferramenta de incentivo e não como um elemento punitivo.

Acima de toda a responsabilidade precoce, os jovens cidadãos ainda são sonhadores, que buscam exemplos nos ídolos. Os sonhos, aliás, como os garotos mesmos demonstram são o combustível para seguirem em frente.

“Quero tentar uma carreira no futsal, mas se não der tem que estar estudando para o futuro”, disse Caio Yokoda, que ainda não sabe o que será se não for atleta.

“Estou muito ansiosa para continuar. Meu sonho mais próximo é ser do time titular, aí depois que alcançar o Brasil ou ir para outro país”, projetou Bianca Abreu.

Apoio ao talento

O programa Atleta Cidadão, mantido pela Prefeitura, foi criado em 1999 e é responsável pela formação de atletas das categorias de base de São José dos Campos.

São atendidos alunos de 7 a 17 anos, com seletivas abertas ou em turmas de treinamento das atividades esportivas. Eles recebem apoio estrutural e desportivo para representar São José dos Campos em competições estaduais e nacionais.

As seletivas acontecem regularmente todos os anos, individualmente e nas edições da Caravana de Seletivas.

Na foto (de Claudio Vieira/PMSJC), Bianca Abreu, da equipe de voleibol.

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