Ultramaratonista passa em casa durante expedição
O ultramaratonista Henrique Lobo retornou a Taubaté após 5,6 mil km de mapeamento para corrida entre os extremos do Brasil. A expedição, que agora descerá no mapa, identifica rotas alternativas para aumentar segurança e desafio entre Oiapoque e Chuí.
Confira no material enviado por Marcelo Pedroso, da assessoria de Imprensa do atleta.
A expedição de reconhecimento da Travessia dos Extremos passa por Taubaté e chega na reta final após percorrer aproximadamente 5.680 quilômetros.
O mapeamento identificou que o trajeto inicialmente estimado em 7.200 quilômetros deverá chegar a 7.500 quilômetros, além da necessidade de priorizar estradas menos movimentadas para aumentar a segurança do atleta durante a futura travessia.
Henrique e equipe chegaram em Taubaté na noite de quarta-feira (2), depois de passarem pelo extremo norte do país e avançarem pelo Brasil em direção ao Sul. Aos 59 anos, Henrique descansou na cidade na quinta-feira (3) para retomar as atividades físicas nesta sexta-feira (4). Ele programou um treino de rua às 6h e convidou corredores e moradores da região a acompanhá-lo na atividade.
“Quero aproveitar esse retorno para correr com as pessoas que acompanham meu trabalho. Essa travessia está sendo construída com muita gente. Quem quiser participar do treino será muito bem-vindo”, disse Henrique.
A expedição
A expedição, iniciada em 19 de agosto, tem como objetivo mapear o percurso que Henrique pretende correr em 2027, quando completará 60 anos. A experiência acumulada ao longo dos milhares de quilômetros já permitiu à equipe rever aspectos importantes da logística e da própria definição da rota.
“Quando começamos o reconhecimento, tínhamos uma estimativa de distância. Agora estamos percebendo que o percurso será maior e deve chegar a 7.500 quilômetros. Isso mostra exatamente por que essa viagem é tão importante. Estamos conhecendo o caminho na prática e fazendo ajustes antes de enfrentar a travessia”, destaca o atleta.
Segurança é prioridade
Entre os principais aprendizados da expedição está a necessidade de privilegiar estradas com menor fluxo de veículos. Embora algumas rodovias possam representar caminhos mais diretos, a equipe avalia que a segurança deve ser um dos principais critérios para definir o trajeto definitivo.
Para um atleta que deverá permanecer aproximadamente quatro meses na estrada e percorrer dezenas de quilômetros diariamente, a escolha do percurso envolve muito mais do que distância. Condições do piso, acostamento, fluxo de veículos, pontos de apoio, locais de descanso e possibilidade de atendimento também serão considerados na definição da rota.
“O caminho mais curto nem sempre será o melhor caminho. Precisamos pensar na segurança. Se for necessário aumentar alguns quilômetros para utilizar uma estrada menos movimentada, vamos fazer isso. São decisões que precisamos tomar agora para reduzir os riscos em 2027”, explica.
A equipe também já identificou outros desafios logísticos durante o reconhecimento, como trechos pouco povoados, necessidade de estrutura para acampamento e deslocamentos por balsa que podem interromper a corrida por muitas horas.
A atividade também marca uma pausa antes da retomada da expedição. Após Taubaté, Henrique e sua equipe seguem para São José dos Campos e Alphaville, na região metropolitana de São Paulo, antes de avançar novamente para o Sul.
Reta final
A previsão é que o reconhecimento continue pelos estados do Paraná e Santa Catarina, seguindo posteriormente para o Rio Grande do Sul, com passagem por Porto Alegre e conclusão prevista para 8 de setembro.
Até o momento, além dos cerca de 5.680 quilômetros de deslocamento, Henrique acumulou aproximadamente 170 quilômetros de treinos de corrida durante a expedição.
Os treinos são realizados principalmente nas próprias estradas e, quando possível, em academias. A proposta é manter a preparação física e, ao mesmo tempo, experimentar na prática diferentes tipos de terreno e condições encontradas ao longo da futura rota.
A equipe formada por Henrique, sua esposa Roseli Lobo e os filmakers Bianca e Luiz também vem registrando toda a jornada para as redes sociais. Os conteúdos mostram os bastidores do reconhecimento, as condições encontradas nas estradas, os treinos e as pessoas conhecidas durante o percurso.
Travessia
A Travessia dos Extremos será realizada em 2027, quando Henrique completará 60 anos. A ideia é ligar Oiapoque, no extremo norte do país, ao Chuí, no extremo sul, correndo aproximadamente 7.558 quilômetros.
O reconhecimento realizado neste ano tem justamente a função de transformar uma ideia de grande dimensão em um projeto operacionalmente viável.
A equipe deverá consolidar, ao final da expedição, informações sobre a rota, segurança, pontos de apoio, locais de descanso, abastecimento, condições das estradas e alternativas de percurso.
“Estamos descobrindo o Brasil de uma maneira que eu nunca imaginei. Cada lugar traz uma dificuldade, uma história e uma possibilidade diferente. Quando chegarmos ao Chuí, teremos uma visão muito mais clara do que precisaremos fazer para enfrentar os 7.500 quilômetros no ano que vem”, afirma Henrique.

Transformação pessoal
A Travessia dos Extremos é o próximo capítulo de uma história de transformação. Há cerca de 13 anos, Henrique era obeso e sedentário e havia enfrentado dois infartos e um câncer. Foi na prática esportiva que iniciou uma mudança radical de vida.
Desde então, acumulou mais de 20 mil quilômetros em provas e treinamentos e enfrentou desafios extremos no Brasil e no exterior, incluindo a Badwater 135, nos Estados Unidos, prova de 217 quilômetros pelo Vale da Morte.
Em julho deste ano, aos 59 anos, completou 470 quilômetros da UAI Internacional, em Minas Gerais, em 87 horas e 49 minutos. Venceu a categoria Double e estabeleceu o recorde da primeira etapa da competição.
Agora, aos 60 anos, pretende transformar sua própria história em uma jornada que atravesse o Brasil.
“Eu comecei a correr para transformar a minha própria vida. Agora quero levar essa mensagem para todo o Brasil. A Travessia dos Extremos não será apenas uma corrida de 7.500 quilômetros. Será uma jornada de superação, de encontro com as pessoas e de descoberta do nosso país.”
Na foto (de Bianca Cristina Campos Santos), Henrique Lobo e alguns dos seus acompanhantes no treino desta sexta-feira.

